segunda-feira, 23 de maio de 2011

#acampadaporto 3º dia

A acampada está viva e recomenda-se!

A assembleia:

Cada dia um recorde novo, mais uma vez, a maior assembleia de sempre na Praça da Batalha, quase 100 pessoas.
A assembleia de ontem foi marcada pela discussão do ponto 6 do manifesto, onde se li-a: “...as agências de notação financeira, como a Moody’s e a Standard and Poor’s, o PS, o PSD, o CDS; contudo, há muitos mais e a nossa obrigação é nomeá-los.” passou a ler-se “...as agências de notação financeira, como a Moody’s e a Standard and Poor’s, partidos politicos que pela sua acção ou inércia nos conduziram à situação política actual.” A decisão foi consensual: Podemos compreender que colocar o PCP ou o BE no mesmo saco que o PS e PSD seja injusto (para alguns presentes), no entanto somos um movimento apartidário como tal, nos recusamos a qualquer tipo de aproximação partidária.
Outro ponto das ordens de trabalho foi “o que estámos aqui a fazer, qual o nosso objectivo?” A duvida era se deveriamos ter propostas de mudança concretas ou não. Foi novamente decidido por concenso que este movimento é de protesto/indignação. Este movimento faz política com amor e criatividade na praça, hoje não queremos nem temos espaço para “projectos de lei”.
Foi pedido na assembleia que as pessoas tragam tendas de campanha, fogão de campismo, plásticos etc. Também aceitamos comida!

A noite:

Dormir na Praça é sempre divertido. Os problemas do costume, mas nada de grave. Hoje fomos cerca de 30 pessoas a pernoitar.

Programa já marcado para hoje:

Debate Direitos LGBT
Workshop Malabares
Distribuição de flyers
22H - Assembleia


De entristecer a fraca adesão dos movimentos portugueses. O que nos safa são os espanhois! Hasta luego hermanos!

15-M: Não Há Democracia Verdadeira sem Democracia Económica

Por Juan Torres López – Conselho Científico da ATTAC Espanha.

“Toda a riqueza do país nas suas formas distintas e seja qual for a sua titularidade está subordinada ao interesse comum.”
(Artigo 128.º da Constituição Espanhola)

O movimento 15M pôs sobre a mesa um debate que se tem furtado à cidadania espanhola durante os últimos trinta anos: o da democracia imperfeita existente no nosso país.

Milhares de pessoas gritam nas nossas ruas para exigir democracia verdadeira, porque entendem, com razão, que não se sentem representadas pelo regime bipartidário instituído de facto pela lei eleitoral vigente, com o objectivo principal de excluir a esquerda menos colaboracionista do cenário político. Porque entendem que a democracia é incompatível com a apresentação de dezenas de arguidos nas listas eleitorais, com a opacidade do financiamento dos partidos, com a falta de controlo do património de quem diz servir os interesses públicos, começando pelo Chefe de Estado, ou com as vergonhosas imagens de deputados ausentes dos seus lugares enquanto outros falam fastidiosamente para o ar. E ainda, porque acreditam, porque acreditamos, que também não se pode falar de democracia quando a propriedade dos meios de comunicação se concentra cada vez mais nas mãos de grandes grupos financeiros ou até de fundos especulativos, para evitar que se convertam em espaços de debate público e informação objectiva.

Milhares de pessoas reclamam, reclamamos, Democracia Verdadeira Já, porque cada vez sentimos mais indignação quando vemos que quem o presidente (primeiro-ministro) chama para tratar de fazer frente à crise, não são os cidadãos e cidadãs que perderam as suas casas, os desempregados, os pequenos e médios empresários que criam 90% do emprego existente, mas sim os banqueiros especuladores e os administradores que mais natureza e emprego destroem e que utilizam os paraísos fiscais para escapar às suas responsabilidades para com o Estado — e portanto para com todos nós que pagamos impostos. E saímos às ruas, porque estamos fartos de ser chamados a votar de tanto em tanto tempo, sem que os nossos votos sirvam para decidir as questões mais importantes que, no entanto, são resolvidas a seu bel-prazer pelos poderes de facto, que não se apresentam a eleições: os banqueiros, a hierarquia da Igreja Católica, os dirigentes patronais e os grandes proprietários ou os donos dos meios de comunicação mais influentes.

Exigimos democracia, porque acreditamos que não podemos dizer que esta exista em Espanha quando também não existe numa Europa que apenas dá preferência aos mercados, que renuncia a ser algo mais que um grande espaço de liberdade financeira ao serviço do capital e cujos dirigentes se deixam dominar pelos grupos de pressão e poder dedicados a impor aos povos as receitas neo-liberais.

Exigimos com razão Democracia Verdadeira Já, para conseguir que os direitos políticos e a capacidade de decisão de todos os cidadãos e cidadãs sejam exactamente os mesmos, sem distinção. Mas, precisamente por isso, não devemos esquecer-nos que será impossível que exista democracia verdadeira se não houver democracia económica, ou seja, se não se garantir a todos os indivíduos, também sem distinção, o rendimento, os meios e as oportunidades suficientes para viver e satisfazer com dignidade as suas necessidades.

As políticas económicas neo-liberais que se têm aplicado nos últimos trinta anos constituem de facto uma negação da democracia, porque geram condições de emprego e salários tão baixos, que condenam milhões de trabalhadores e trabalhadoras à precariedade constante, impedindo-os de viver dignamente. Porque permitem que os bancos multipliquem sem limite a criação de dívida que escraviza as famílias e as pequenas e médias empresas. Porque criaram instituições, como os bancos centrais independentes, que podem modificar ferramentas fundamentais da vida económica, de que dependem a distribuição da riqueza e o bem-estar das pessoas, sem qualquer controlo dos poderes representativos. Porque privatizaram capital e empresas públicas a preços de saldo e sem qualquer debate social sobre a sua conveniência ou vantagens; porque restringiram a despesa pública, privando milhões de pessoas de bens colectivos de qualidade para pôr cada vez mais serviços públicos nas mãos do negócio privado, contra o desejo da maioria da população, e porque cada vez mais as instituições públicas representativas estão desarmadas, cedendo poder aos mercados e a grupos de pressão para que os grandes empresários, os banqueiros, os oligarcas do século XXI imponham livremente a sua vontade ao resto da sociedade. E porque aumentaram escandalosamente a desigualdade, fortalecendo o poder das minorias mais ricas e condenando ao ostracismo cada vez mais milhões de pessoas.

E é fundamental ter em conta que, se esta falta de democracia económica impede que se possa falar também de democracia política, a ausência de ambas é a verdadeira causa que deu lugar à crise que vivemos, porque deixou as finanças especulativas e os banqueiros que cometeram todo o tipo de fraudes e enganos sem controlo. Como, noutra escala, também é a causa dos grandes problemas económicos no mundo actual, dos quais se destacam a destruição do nosso meio ambiente, a fome e a discriminação que as mulheres e outros grupos populacionais, como os imigrantes, continuam a sofrer.

É completamente impensável, no entanto, que possamos resolvê-los sem avançarmos decisiva e realmente para uma democracia económica. E é uma mentira gigantesca que se possa sair da crise, como dizem os nossos governantes, com reformas laborais e das pensões, com políticas de austeridade e com mais privatizações, que apenas agudizam os problemas que provocaram a crise e limitam ainda mais a capacidade de decisão da cidadania, ou seja, a democracia.

Em Espanha falta-nos democracia económica e, para a ter, é imprescindível um firme compromisso de Estado que garanta o alcance efectivo dos direitos constitucionais com um emprego decente, um salário de suficiência, saúde, educação, uma pensão digna e habitação. Se a democracia começa pelo cumprimento das leis, exijamos que se cumpra a primeira delas, a Constituição.

Não poderemos falar de verdadeira democracia em Espanha enquanto houver uma única pessoa sem salário ou com rendimentos miseráveis, ou sem poder habitar uma casa digna. Se queremos falar de democracia há que garantir os direitos económicos e sociais básicos de toda a população e sabemos que, se hoje em dia não estão garantidos no nosso país, isso deve-se às políticas económicas que se têm aplicado e que têm que mudar.

A história e a experiência dos países que lograram mais avanços nestes campos mostra-nos, sem margem para dúvidas, que o usufruto destes direitos não é garantido pelo mercado (restringindo a despesa pública e cedendo as escolas a fundos especulativos, como em Madrid), mas que é imprescindível uma forte intervenção pública.

E para poder levá-la a cabo é necessário, por um lado, uma Reforma Fiscal urgente que dê equidade ao nosso sistema fiscal e um plano de luta contra a economia clandestina e a evasão fiscal. E, por outro lado, uma potente estratégia de recuperação do rendimento e da actividade económica.

Para consegui-lo é preciso, em primeiro lugar, dispor de financiamento suficiente e, para isso, devem nacionalizar-se as caixas e os bancos que não ponham imediatamente os seus recursos ao serviço da actividade produtiva. Há que travar quanto antes a espoliação do sistema financeiro espanhol que a banca privada quer fazer. Em segundo lugar, devem ser devolvidas ao estado as empresas de interesse estratégico para a economia nacional, que foram privatizadas sem consultar a cidadania e sem debate sobre as vantagens ou inconvenientes. E em terceiro lugar, dever-se-á subscrever um amplo Pacto de rendimentos que garanta, por um lado, o incremento da participação dos salários no rendimento nacional, que é um objectivo imprescindível para garantir a saída da crise, através da recuperação da procura e da actividade; e, por outro lado, aumentos da produtividade e reformas substanciais no modelo produtivo, que permitam que a nossa economia não tenha que limitar-se à inserção passiva nos mercados globais, como até agora, para benefício exclusivo das grandes empresas. Para isso há que começar por revogar imediatamente as medidas de cortes nos direitos sociais e laborais adoptadas sob a pressão do terrorismo financeiro desde Maio de 2010 até à data.

Perante o problema da dívida que atinge a nossa economia, deve fazer-se uma auditoria à dívida pública e perguntar à população se deseja encarregar-se da que tenha sido contraída por irresponsabilidade dos bancos e das grandes empresas ou em consequência das suas operações especulativas contra o estado espanhol.

Espanha tem uma escolha: definhar num regime bipartidarista de democracia imperfeita que tira poder à cidadania para o dar aos mercados e que fomenta uma economia dependente, oligárquica e destruidora de emprego, de actividade e de riqueza ambiental e natural, ou, como começa a acontecer nas ruas, dizer não à estratégia económica neo-liberal que os poderes económicos e financeiros impuseram aos políticos que governaram a saída (inacabada) do franquismo.

Mulheres e homens comuns que somos, podemos mudar o rumo da história e podemos evitar que os poderosos imponham sempre os seus interesses aos demais. Agora podemos consegui-lo em Espanha e avançar assim para a Democracia Verdadeira com democracia económica, se forem cumpridas duas condições. Uma, que não se renuncie ao poder que nasce nas ruas face aos impostores que se empenham em que paguemos nós a crise que eles próprios provocaram. E outra, que a rebeldia se estenda, como começou timidamente a acontecer, ao conjunto da União Europeia, porque é aí, sob o domínio do poder neo-liberal mais fundamentalista, que se encontra hoje o elo mais determinante da cadeia que nos escraviza.

Botín [1] não é o dono da Espanha! Democracia Verdadeira JÁ!

(Tradução: Helena Romão)

[1] Botín é o dono do Santander.

Compilação das Propostas Aprovadas na Assembleia Geral da Acampada do Sol (Traduzida)

Uma das características do movimento 15-M, em Espanha, é a realização de Assembleias Gerais em todas as acampadas. O site tomaplaza.net compilou-as:

1. Alteração da Lei Eleitoral [1] para que as listas passem a ser abertas e haja um único círculo eleitoral. O número de mandatos deve ser proporcional ao número de votos.

2. Atenção aos direitos básicos e fundamentais reconhecidos na Constituição, tais como:

- Direito a uma habitação digna, articulado com uma reforma da Lei Hipotecária, de forma a que a entrega do imóvel em caso de falta de pagamento cancele a dívida.

- Saúde pública, gratuita e universal.

- Livre circulação de pessoas e reforço de uma educação pública e laica.

3. Abolição das leis e medidas discriminatórias como a Ley del Plan Bolonia Y el Espacio Europeo de Educación Superior [2], a Ley de Extranjería [3] e lei conhecida por Ley Sinde [4].

4. Reforma fiscal favorável aos rendimentos mais baixos; reforma dos impostos sobre o património e sucessório. Implementação da Taxa Tobin, que taxa as transacções financeiras internacionais, e fim dos paraísos fiscais.

5. Reforma das condições laborais da classe política, para que se ponha fim aos salários vitalícios. Que os programas e as propostas políticas tenham caracter vinculativo.

6. Rejeição e condenação da corrupção. Que a Lei Eleitoral torne obrigatório que sejam excluídos das listas candidatos culpados ou condenados por corrupção.

7. Várias medidas no que diz respeito à banca e aos mercados financeiros, em cumprimento do artigo 128.º da Constituição, que estipula que «toda a riqueza do país, nas suas diferentes formas, sejam quem forem os titulares, está subordinada ao interesse geral.» Redução do poder do FMI e do BCE. Nacionalização imediata de todas as entidades bancárias que tiveram de ser resgatadas pelo Estado. Endurecimento do controle sobre entidades e operações financeiras para evitar eventuais abusos, sob as mais variadas formas.

8. Desvinculação de facto entre Igreja e Estado, como estabelece o artigo 16.º da Constituição.

9. Democracia participativa e directa, em que a cidadania desempenhe um papel activo. Acesso popular aos meios de comunicação, que deverão ser éticos e verídicos.

10. Verdadeira regularização das condições laborais, e vigilância do seu cumprimento por parte das autoridades estatais.

11. Encerramento de todas as centrais nucleares e promoção das energias renováveis e gratuitas.

12. Recuperação das empresas públicas privatizadas.

13. Separação efectiva dos poderes executivo, legislativo e judicial.

14. Redução das despesas militares, encerramento imediato das fábricas de armamento e maior controlo das forças de segurança do Estado. Como movimento pacifista, acreditamos no «Não à Guerra.»

15. Recuperação da Memória Histórica e dos princípios fundadores da luta pela Democracia no nosso Estado.

16. Total transparência nas contas e financiamento dos partidos políticos, como medida de contenção da corrupção política.


(tradução de Mariana Avelãs)

[1] Para saber mais sobre a Lei Eleitoral espanhola:

[2] Para saber mais sobre a Ley del Plan Bolonia Y el Espacio Europeo de Educación Superior :

[3] Para saber mais sobre a Ley de Estrangeria:

[4] Para saber mais sobre a Ley Sinde :

domingo, 22 de maio de 2011

1º Manifesto do Rossio

Os manifestantes, reunidos na Praça do Rossio, conscientes de que esta é uma acção em marcha e de resistência, acordaram declarar o seguinte:

Nós, cidadãos e cidadãs, mulheres e homens, trabalhadores, trabalhadoras, migrantes, estudantes, pessoas desempregadas, reformadas, unidas pela indignação perante a situação política e social sufocante que nos recusamos a aceitar como inevitável, ocupámos as nossas ruas. Juntamo-nos assim àqueles que pelo mundo fora lutam hoje pelos seus direitos frente à opressão constante do sistema económico-financeiro vigente.

De Reiquiavique ao Cairo, de Wisconsin a Madrid, uma onda popular varre o mundo. Sobre ela, o silêncio e a desinformação da comunicação social, que não questiona as injustiças permanentes em todos os países, mas apenas proclama serem inevitáveis a austeridade, o fim dos direitos, o funeral da democracia.

A democracia real não existirá enquanto o mundo for gerido por uma ditadura financeira. O resgate assinado nas nossas costas com o FMI e UE sequestrou a democracia e as nossas vidas. Nos países em que intervém por todo o mundo, o FMI leva a quedas brutais da esperança média de vida. O FMI mata! Só podemos rejeitá-lo. Rejeitamos que nos cortem salários, pensões e apoios, enquanto os culpados desta crise são poupados e recapitalizados. Porque é que temos de escolher viver entre desemprego e precariedade? Porque é que nos querem tirar os serviços públicos, roubando-nos, através de privatizações, aquilo que pagámos a vida toda? Respondemos que não. Defendemos a retirada do plano da troika. A exemplo de outros países pelo mundo fora, como a Islândia, não aceitaremos hipotecar o presente e o futuro por uma dívida que não é nossa.

Recusamos aceitar o roubo de horizontes para o nosso futuro. Pretendemos assumir o controlo das nossas vidas e intervir efectivamente em todos os processos da vida política, social e económica. Estamos a fazê-lo, hoje, nas assembleias populares reunidas. Apelamos a todas as pessoas que se juntem, nas ruas, nas praças, em cada esquina, sob a sombra de cada estátua, para que, unidas e unidos, possamos mudar de vez as regras viciadas deste jogo.

Isto é só o início. As ruas são nossas.

Diz-me como avalias, dir-te-ei quem serves


Agências de rating: Pare um minuto para pensar

Por M12M

As agências de rating, também conhecidas como agências de notação financeira, foram criadas há mais de um século, nos Estados Unidos da América, com o objectivo de avaliar a capacidade das empresas e dos Estados em pagar as suas dívidas, num prazo acordado. As avaliações determinam o valor dos juros cobrados por quem empresta dinheiro.

Quanto mais elevado for o rating menor é o juro,... e vice-versa. A classificação é feita por letras, sendo AAA a melhor avaliação possível. A partir de BB considera-se que há muitas incertezas sobre a capacidade dos avaliados em pagar o que devem e os juros pedidos são considerados especulativos.

As notações são realizadas por técnicos das agências, baseadas em diversos indicadores de desempenho económico, segundo critérios pouco claros. Por todo o mundo, as agências de rating são pagas pelos Estados - como Portugal - e por empresas privadas - como bancos e grandes companhias portuguesas - para que avaliem a sua capacidade de endividamento.

As três principais agências de rating do mundo, todas americanas, – Moodys, Fitch e Standards & Poor’s - dominam 95% do mercado das avaliações, criando assim um monopólio de opinião. Estas agências são, juntamente com o sector bancário e segurador, responsáveis por diversas crises e falências, devido às avaliações incorrectas que fizeram.

Os erros de avaliação destas instituições provocaram a queda de grandes corporações que se tornaram grandes demais para falir. Mas faliram.

Em 2001 aconteceu com a americana Enron Corporation – uma das maiores companhias energéticas do mundo – que tinha sido avaliada com ratings elevado por parte de todas as agências quase até ao dia da sua bancarrota.

Em 2008, o quarto maior banco de investimento do mundo, Lehman Brothers, ruiu dando origem à crise do subprime, quase até ao dia da sua falência esteve avaliado acima de BB, que significa “boa qualidade”. As hipotecas das casas de milhares de americanos foram transformadas em produtos financeiros complexos, hoje chamados activos tóxicos, vendidos e revendidos em mercados secundários sem regulação. Estes produtos financeiros foram sempre avaliados pelas agências de rating com a nota máxima - AAA.

Poucas semanas antes, e por causa dos mesmos activos tóxicos, os três principais bancos privados islandeses faliram. Tinham avaliações de A até poucos dias antes do colapso. O sistema financeiro da Islândia valia dez vezes mais que o PIB do país. O Estado teve que nacionalizar os prejuízos dessa bolha especulativa e a economia afundou.

A responsabilidade das agências de rating, no entanto, não foi punida, apesar de já vários países terem iniciado queixas-crime contra elas, inclusive em Portugal.

Vivemos numa era em que as decisões económicas são feitas à escala global e estas agências passaram a desempenhar um papel fundamental no funcionamento da economia, do sector financeiro e bancário. Conquistaram a capacidade de influenciar a estabilidade de Estados e empresas, que têm necessidade de crédito.

Em teoria, o seu propósito de garantir um saudável funcionamento dos mercados é negado pelas suas práticas. Há um conflito de interesses quando os detentores das agências de rating são pagos por bancos de investimento para avaliar produtos que esses mesmos bancos de investimento vendem – como os activos tóxicos. Isso significa que manipulam quem deveriam proteger – os clientes de produtos bancários.

Não assistimos apenas à crise do sistema, mas sim ao natural desenrolar do sistema da crise. A ganância de quem detém o poder na economia faz com que a factura seja apresentada aos que menos culpa e voz têm – as pessoas comuns. São elas as vítimas das políticas de austeridade ditas inevitáveis, que servem para pagar os juros cada vez mais altos exigidos por quem empresta dinheiro aos países e para salvar as irresponsabilidades cometidas pela banca.

As agências de rating deixaram de estar ao serviço da economia passando a economia a estar ao serviço das agências. É fundamental questionar a legitimidade e imparcialidade das suas avaliações, a legitimidade do seu monopólio, a legitimidade democrática que não têm quando influenciam a economia e consequentemente todos os planos políticos e sociais.

As agências de rating classificaram-nos 'abaixo de lixo'. Sem nada que o justificasse, 'lixaram-nos', obrigando Portugal a seguir um caminho que ninguém escolheu como única solução para a saída da crise. No entanto, não nos dizem porque chegámos a este estado, não nos dizem qual é o real estado a que chegámos, não nos ouvem nem aceitam quando apresentamos alternativas.

Num momento em que o país vê a sua economia e políticas definidas por entidades estrangeiras, não podemos esquecer os responsáveis por esta crise. Não podemos esquecer que foi a especulação causada pelas agências de rating que nos trouxe até aqui. E não podemos deixar de exigir que sejam punidas. Mas também não devemos esquecer como chegámos a esta situação de endividamento, de que as agências se aproveitaram.

Agora que o país se encontra sem rumo é tempo de arrumar a casa. É tempo de saber como se chegou até aqui. É tempo de saber o que devemos, a quem, porquê e como chegámos a este ponto. É por isso que exigimos uma auditoria externa às contas públicas já!

Exigimos transparência, porque em Democracia temos o direito de saber como são usados os impostos que pagamos. É porque ninguém nos explica de onde vem esta dívida e como foi contraída que exigimos uma auditoria às contas públicas.

Em Democracia governa-se para o Povo, com um mandato dado pelo Povo, para a gestão da dos interesses públicos que o Povo paga com os seus impostos. Chegou a altura de o Povo saber o que andaram a fazer com o seu dinheiro ao longo de todos estes anos. Chegou a altura de perceber o que tem de pagar e até quando.

Porque a transparência na gestão dos dinheiros públicos é a base de uma sociedade justa, exigimos uma auditoria independente à nossa dívida já.

ISTO É DEMOCRACIA, QUEREMOS UMA AUDITORIA!

sábado, 21 de maio de 2011

Join the #SpanishRevolution

Convocatória Internacional da Acampada Barcelona (Traduzida)

Queridos amigos/as,

Queremos partilhar com o maior número de pessoas, os momentos inesquecíveis que estamos a viver com a #spanishrevolution [1] e queremos fazer deste protesto ainda mais global do que já é.
Com esta mensagem queremos incentivar-te a convocar mais acampamentos fora do estado Espanhol feita pelos residentes em outros países.
O que se está a passar nas diferentes cidades espanholas não é específico da nossa sociedade: lutamos por recuperar a dignidade, a liberdade e a justiça social, a democracia directa, participar no rumo das nossas próprias vidas. Não somos ovehas e parece que ninguém, no poder político, se apercebe disso. Somos uma rede, não necessitamos de líderes e por isso desejamos que em cada cidade tomes uma posição e penses por ti mesmo/a, em conjunto com outros/as, nas alternativas a este mundo mercantilista, desumano, suicida e cancerígeno a que os nossos governantes estão a levar o planeta, e a todos nós com ele, e que nos querem fazer acreditar que tudo se move por dinheiro.
Para nós as fronteiras não existem, a rede és nossa e a rua também! Um outro mundo é possível!
Para isso propomos que reenvies este correio e te organizes com os teus amigos, colegas, associações, familiares, etc. para nos manifestarmos em todas as praças para exigir uma mudança real na nossa sociedade. Criemos juntos estes espaços de protesto, encontro, pensamento, acção e mudança, a uma escala global, em rede e em uníssono.

Mais concretamente propomos que acampemos nos diferentes países. //Em Portugal, hoje, dia 21, passa-se o seguinte [EM ACTUALIZAÇÃO]//:

LISBOA :: Vigília permanente no Rossio + Assembleia Popular a partir das 22h.
PORTO :: Assembleia Popular na Praça da Batalha às 20h
COIMBRA :: Assembleia Popular na Praça 8 de Maio às 15h
FARO :: (por confirmar) Regresso à Praça Luís Bívar


Usemos as redes sociais para coordenar e manter a informação actualizada. Por favor adapta este texto e reenvia para os teus contactos, coloca no teu blog, publica no twitter e no teu facebook.

Aconselhamos a que criem uma comissão internacional para podermos estar em contacto uns com os outros nas seguintes plataformas:

- n-1.cc groupe : akbcn_int
- freenode (chat: #international-camps)
- comisiointernacional@gmail.com

Que se vayan todos, democracia real ya!

Abrazos/Besos/Saludos,

Comissão Internacional da #acampadaBCN
(Traduzido por Fernando Fonseca, in situ)