sábado, 4 de junho de 2011

No Rossio, todos os sábados, exerce-se um direito fundamental: o de reunião

Relembre-se o nº 1 do Art.º 45º da Constituição da República Portuguesa:

"Os cidadãos têm o direito de se reunir, pacificamente e sem armas, mesmo em lugares abertos ao público, sem necessidade de qualquer autorização."

Será que alguém ainda terá dúvidas sobre o que aconteceu hoje no Rossio?

Quem lá esteve não teve qualquer dúvida, por isso não deixou de decidir:
  1. todos os sábados, na Praça do Rossio, promover Assembleias Populares [às 17h reunem os grupos de trabalho, às 19h são as Assembleias]
  2. todas as quintas, realizar Assembleias Populares descentralizadas em bairros [de microfone aberto].
Mesmo perante a mordaça musculada, recusamos aceitar o roubo de horizontes para o nosso futuro.

Também publicado em tambemjogamosapato

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Allô, Allô!

Ser da Geração do Basta



Porque a austeridade, a ignorância e o conformismo não são inevitáveis.

Votar, não votar, como votar


Em vésperas de eleições, é recorrente a discussão sobre o método de Hondt, seus méritos e desméritos na distribuição de mandatos, eventual substituição por outro tipo de cálculo (por exemplo, a proporcionalidade), estatuto de abstenção, brancos e nulos, etc., etc., etc.

Talvez pelo que está em jogo no próximo Domingo, e pelas estreitas margens de diferença entre dois partidos, que as sondagens têm divulgado, parece ter agora crescido o interesse pelo assunto. (Só para se ter uma ideia, uma simples questão que pus ontem, num grupo a que pertenço no Facebook, já teve até este momento cerca de 80 respostas / comentários.)

Há muita literatura sobre o tema e os mais interessados poderão esmiuçar este estudo de Carlos Calado, que não cito pela primeira vez: A Votação e a Matemática. Se volto a ele, é porque me parece importante sublinhar alguns pontos importantes que têm a ver com muitas discussões em curso, neste preciso momento, sobre «voto útil», impacto da escolha de pequenos ou grandes partidos, etc., etc.

Alguns itens que não dispensam a leitura do texto na íntegra, mas que merecem reflexão:

- «Não é apenas o partido mais votado que beneficia [da aplicação do método do Hondt], pois os grandes e mesmo os médios partidos também acabam por obter significativos dividendos do processo, em detrimento dos pequenos partidos.» Ou: «É assim esta a lógica do método de Hondt, em que se “comprime” o número de eleitos pelos partidos menos votados, “expandindo-se” o número de eleitos pelos partidos mais votados.»

- «Com este sistema vigente, a tendência é a de bipolarização partidária, pois o povo reconhece que apenas dois dos partidos têm hipótese de alcançara vitória. Como tal, verifica-se um constante apelo ao voto útil, sacrificando ainda mais os restantes partidos, que dificilmente conseguirão balanço suficiente para vir a beneficiar do processamento dos votos.»

- «Situações estranhas decorrem do facto de não se apurar a representatividade de cada partido através de um escrutínio nacional, mas sim através do somatório dos resultados de 22 círculos eleitorais. E de esses resultados nos círculos eleitorais não serem estabelecidos livremente em função do número de votos obtidos pelos partidos, mas estarem à partida condicionados pelos número de mandatos previamente atribuídos a cada círculo eleitoral. (proporcionalmente ao número de eleitores recenseados).»

- «Qual a consequência dos votos Brancos ou Nulos? – nenhuma !!!, ou melhor dizendo, acabam por favorecer os maiores partidos, pois o número destes votos não entra nas contas para estabelecer os quocientes do método de Hondt. Qual a consequência das abstenções? – nenhuma !!!, ou melhor dizendo, acabam por favorecer os maiores partidos, pois o número de abstenções não entra nas contas.»

O realce é meu e dispensa «conselhos», certo?

(Não entro na descrição da solução «mais democrática» proposta pelo autor, mas vale a pena compreendê-la.)

(Publicado também em Entre as brumas da memória)

(Imagem de Kate MacDowel)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

A Grécia Está nas Ruas, Sabiam?

Sabes o que se está a passar em Atenas neste momento? Envia uma mensagem aos meios de comunicação social portugueses a exigir que nos informem sobre o assunto. Podes usar este texto e os endereços no fim. Quebra o bloqueio. Passa a palavra.

Depois de terem ignorado os dias iniciais dos protestos em Espanha, e de terem feito uma cobertura tardia e limitada das repercussões em Portugal, os media portugueses insistem em fechar os olhos, ou em tentar fechar-nos os olhos, em relação a outro palco de contestação em curso: a Grécia.
São pelo menos cem mil nas ruas em Atenas há vários dias, a protestar contra as medidas de austeridade, a intervenção do FMI, a complacência do governo, a vida que não podem viver.
Nisto, os media portugueses não estão sozinhos: o bloqueio é geral. Percebe-se que o efeito claro das políticas de austeridade impostas pelo FMI desde há um ano não seja uma visão agradável que para quem tenta implementar o mesmo plano sanguessuga por outras paragens; e menos será a consciência de que as pessoas não estão rendidas ao que lhes vendem como inevitável, e que um ano de austeridade e ameaças as faz sair para a rua em massa. Mas não será precisamente porque a Grécia é um exemplo tão próximo e claro que o jornalismo digno desse nome devia fazer questão de pelo menos noticiar? já nem falamos de isenção, debate, investigação - apenas da obrigação básica de informar. Mais ainda num país em campanha eleitoral para umas eleições que se disputam em torno das questões da austeridade e das imposições da mesma troika responsável pela situação grega.
Existem alguns artigos on-line|1|, transmissões em directo|2|, e até a hashtag #greekrevolution no Twitter. Se os media não cumprem o seu papel, há quem o faça. Mas acreditamos que o contributo da comunicação social para o debate e a informação dos cidadãos é insubstituível, e que jornalistas sérios não prescindem das suas obrigações éticas. Por isso, aqui fica o apelo: façam o vosso trabalho, e informem-nos acerca do que se está a passar na Grécia.

alguns emais (envia para outros que tenhas!):
tsf@tsf.pt
agenda.informacao@rtp.pt
politica@lusa.pt
politica@publico.pt
agenda@dn.pt
agenda@tvi.pt
agenda@tvi24.pt

Também podes enviar uma mensagem ao Provedor do Telespectador da Rtp aqui.

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