segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Carta aberta ao Senhor Primeiro Ministro


Este texto foi publicado hoje no Facebook pela sua autora.

Exmo Senhor Primeiro Ministro

Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome "de guerra". Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.

Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.

Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.

Boicote ao Pagamento dos Transportes Públicos

panfleto (para imprimir e distribuir):
A partir de 1 de Janeiro de 2012 começa um Boicote ao Pagamento de Transportes Públicos.

Os objectivo deste boicote são:
- Continuação dos passes 4_18, sub23 e sénior.
- Anulação dos aumentos tarifais de Agosto
- Continuação de todas as carreiras e horários/ não à supressão.

Muitos estudantes dependem do passe para se deslocarem para a escola. O seu fim é uma mais um ataque brutal ao orçamento familiar, que já é reduzido face aos cortes nos rendimentos e ao aumento do custo de vida. Milhares de jovens passam fome e são obrigados a abandonar os estudos! Por outro lado, o fim do passe sénior é um atentado à dignidade dos idosos. Milhares de idosos vivem numa situação de miséria com pensões baixíssimas e o fim dos transportes para eles é mais um sacrifício incomportável.

E, apesar de todos os aumentos brutais, a qualidade dos transportes é cada vez mais degradante. A supressão de carreiras impede as população de se deslocarem para o centro. Deste modo, as pessoas serão obrigadas a recorrer a empresas de transporte privadas que irão praticar preços elevados. O governo não tem ouvido os protestos contra a austeridade; tem ignorado o povo e imposto sacrifícios em benefício dos Bancos. Não chega refilar- é preciso subir o volume do protesto!

É preciso apoiar e divulgar esta informação - o sucesso do Boicote ao Pagamento dos Transportes Públicos depende de todos nós! O boicote consiste em ocupar os transportes públicos sem validar, sem comprar títulos de viagem, sem pagar mensalidades e sem pagar multas. Estratégias como fugir à fiscalização, fornecer moradas falsas no momento do auto e protelar indefinidamente o pagamento das multas são formas de desobediência pacífica e aceitáveis. FAÇAMOS NÓS OS CORTES, EM JANEIRO NINGUÉM PAGA TRANSPORTES!

Passa a palavra,  publica,  partilha, imprime, divulga!

Estão disponíveis ainda o blog e página no Facebook para melhor divulgação:
Facebook: http://www.facebook.com/events/142937589143789/
Blogspot: http://boicotetransportes.blogspot.com/
 
Consulta o blog e informa-te melhor acerca da legislação dos transportes colectivos.

sábado, 17 de dezembro de 2011

«Melhores blogs 2011»


Foi-nos comunicado esta tarde que o Portugal Uncut foi nomeado, pelo programa «Combate de Blogs», na categoria «Blog Revelação 2011». O anúncio oficial será feito hoje, na emissão que irá para o ar, na TVI24, às 23H, mas a votação, para as diferentes categorias, já está aberta AQUI.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Só nós


«Salvo catástrofe natural (e mesmo as consequências podem ser minoradas), tudo o que acontece aos humanos é obra de humanos. Tudo aquilo que é mau nas sociedades humanas, e tudo o que se consegue fazer de bom, saiu de nós. De uma maneira ou de outra, aquilo que humanos conseguem fazer, outros humanos conseguem desfazer. A "ganância estúpida" que Keynes lamentou em 1919 é humana. A "prudente generosidade" que Marshall concretizou após 1945 também. Exigir o pagamento de dívidas até toda a gente se lixar é humano. Perdoar dívidas para suster um dano maior também. A escravidão e a abolição, ambas humanas. Os humanos podem escolher. O que foi feito na Europa nos últimos tempos tem que ser invertido, e depois reformulado. Tudo o que é antidemocrático, absurdo e irrealista pode ser substituído por coisas democráticas, que façam sentido e que sejam sustentáveis. E quem tem que fazer isso somos nós. Porquê? Porque os marcianos não virão cá fazer por nós. Porque os mortos já não podem. Porque os vindouros ainda não podem. Não há mais ninguém: só nós.»

Do luminoso ensaio de Rui Tavares no Público de hoje (que merece ser lido na íntegra), acerca das ameaças que pendem sobre a Europa e as lições que o passado nos oferece para as evitar. Um texto inspirado na visão nocturna de Paris que, a partir do céu, deixa perceber o «pequeno alfinete dourado espetado nas luzes da cidade». Depois da Exposição Universal de 1900, para a qual se construiu, a Torre Eiffel foi objecto de um debate sobre o destino que lhe devia ser dado, havendo quem defendesse o desmantelamento, em 1909, da engenhosa estrutura metálica. Invocando a sua utilidade científica (para observações meteorológicas e instalação de sistemas de comunicação sem fios), Gustave Eiffel conseguiu salvá-la da destruição. Tal como Paris seria hoje irreconhecível sem a sua «dama de ferro», também a Europa o será, se permanecer por mais algum tempo nas mãos dos principais irresponsáveis que a têm conduzido.

(Publicado originalmente no Ladrões de Bicicletas)

'Plataforma 15 de Outubro' devolve prendas de Natal ao Governo

Personalidade do ano 2011


Notícia aqui.

Populismo selectivo

Espera-se que Duarte Marques, líder da JSD, que se revelou tão afoito na defesa do apuramento de responsabilidades criminais dos agentes políticos «pela situação económica do país», já esteja a reunir documentos e a preparar um dossier sobre o processo de transferência dos fundos de pensões da banca para o Estado.
É que se trata de um negócio que constitui, ao mesmo tempo, uma forma deliberada de descapitalização da Segurança Social e mais um passo no descarado benefício do sector financeiro. De facto, os dois mil milhões de euros resultantes desta transferência não só não vão directos para os cofres da Segurança Social, como seria expectável (servindo antes, por decisão do governo, para «injectar liquidez na economia»), como se imputa ao sistema público de pensões uma pesada responsabilidade, que adia «para as gerações futuras o pagamento de compromissos assumidos no presente». E, como se não bastasse, ao abrigo desta despudorada negociata, permite-se que os custos – para as instituições financeiras – decorrentes da transferência, possam ser abatidos no seu lucro tributável, durante um período de 10 a 20 anos.
Em coerência, exige-se portanto que Duarte Marques agende novamente, em breve, uma audiência com o Procurador Pinto Monteiro, levando consigo este assunto e sugerindo, como fez no passado recente, que se está perante indícios criminais que apontam para «a irresponsabilidade daqueles que de forma óbvia e deliberada, movidos por interesses mais ou menos obscuros, atentaram vergonhosamente contra a nação». É que, tal como o sol, a demagogia e o populismo oportunista deviam, no mínimo, nascer para todos.

(Publicado originalmente no Ladrões de Bicicletas)