quinta-feira, 28 de abril de 2011

No banco dos réus?


À margem de uma conferência sobre os 35 anos da Constituição da República Portuguesa, Carlos Costa, governador do Banco de Portugal, afirmou o seguinte: «É crucial que os decisores de política e os gestores públicos prestem contas e sejam responsabilizados pela utilização que fazem dos recursos postos à sua disposição pelos contribuintes. Repito: postos à sua disposição pelos contribuintes.» (vídeo aqui)

São afirmações graves, referidas mais ou menos de passagem em noticiários televisivos (ou nem sequer…). Durante horas, a atenção concentra-se na telenovela de terror em que se transformou o «diálogo», por entrepostas declarações e entrevistas, entre os líderes dos partidos que, infelizmente, nos governarão.

E, no entanto, o que Carlos Costa defende é grave e é muito importante. Mas «prestar contas» e «responsabilizar» como? Que não se diga, para passar à frente, que é nas urnas, até porque, que eu saiba, não elegemos os gestores públicos… Terá de ser nos tribunais, obviamente. Chegaremos lá algum dia? Sou optimista por natureza: uma vez mais, alô Islândia.



P.S. - Em off, alguém me fez notar, com toda a pertinência, que os recentes responsáveis pelo Banco de Portugal estão certamente na primeira linha dos candidatos a réus.


(publicado também em Entre as brumas da memória)

Nenhum comentário:

Postar um comentário